quinta-feira, 1 de março de 2012

Arcano 10 - A Roda da Fortuna: quando vamos ao encontro do destino...


Estremecimento... essa é a primeira sensação vivenciada quando olhamos fixamente para o Arcano 10 e nos damos conta de que uma roda girando em torno de seu eixo, comandada por uma força de poder maior que os próprios mortais, pode-se comparar ao movimento circular da vida, ora calcado em bases seguras e estáveis, ora sofrendo as intervenções desse poder tão absoluto e desafiante, que nos vemos compelidos a enfrentar as alterações de um novo ciclo que nos desestrutura ou desestabiliza, causando-nos grandes ansiedades interiores.

A Roda da Fortuna é arquétipo dos desígnios superiores, das mudanças bruscas e repentinas, dos acasos que regem a boa ou má sorte em diversas fases de nosso crescimento interior. A Roda simboliza que a natureza da experiência humana é sempre mutável e impermanente. Eis uma carta que se deve comemorar e temer. Quem de nós não sente um frio na barriga quando algo novo nos surpreende e nos submete a um incessante jogo de reações diante do que é previsível e imprevisível? 

A Roda não pode ser planejada, ela simplesmente chega e inaugura o novo ciclo que nos foi predestinado pela vontade absoluta do destino. A sua atuação é intempestiva, surpreendente e inesperada, daí porque o tremor e temor de não conseguirmos nos segurar em sua borda e atravessarmos o caminho traçado. 

Por outro lado, esse movimento nos dá um ânimo diferente e nos leva a mudanças significativas, desde que estejamos dispostos a ser maleáveis e buscar soluções inovadoras para nos mantermos serenos, evitando a queda ou fracasso em momentos tão delicados de nossa passagem terrena .  

As energias contidas no Arcano A Roda da Fortuna entram em nossa vida por uma determinação desconhecida, fortuita e independente de nossa vontade, mas com certeza exercitam a criatividade, pois é diante de sua vibração que aprenderemos a resolver problemas, definir possibilidades e tomar iniciativas coerentes. Embora não possamos impedir a ação das mudanças que alteram a nossa posição no mundo, temos ainda a oportunidade de escolher as várias direções que nos são colocadas, ainda que de forma inconsciente, pois nós acabamos encontrando o nosso destino, através do íntimo, da parte da alma que está oculta dentro de nós mesmos.

Em alguns casos, é preciso deixar que A Roda simplesmente passe, executando o seu giro de forma natural, onde tudo fluirá e se concretizará no devido tempo, seja para um desfecho positivo ou negativo.

A Roda da Fortuna traz os riscos que são tecidos pelo destino, dando-nos assim a capacidade de desenvolver a arte do improviso, nada podemos fazer frente às viradas que a Roda realizará em muitas etapas de nossa evolução interna, mas podemos nos fortalecer interiormente, adotando uma postura flexível, de equilíbrio, e aceitando as mudanças boas ou ruins que ela possa nos trazer. O mais importante de tudo não é cair, subir ou levantar, mas sim, saber equilibrar-se nos movimentos que essa Roda dá.




sábado, 18 de fevereiro de 2012

Oração de uma Cigana de Luz



Na força da minha Luz eu te guiei nos caminhos de pedras.

Dancei contigo ao som dos violinos, no vento da chuva e silêncio das lágrimas.

Fiz os passarinhos cantarem em teus ouvidos, com o toque de minhas mãos perfumadas de lírios, para que não esquecesses os ruídos das florestas...

Banhei teu espírito com cravos e alecrim do mato, no fogo eu acendi o incenso de aroma erva-doce. Eu limpei tua casa, teu lar, tua vida e te dei descanso levando-te em minhas caravanas de viagem até as tribos russas onde nasci... 

Eu cuidei de ti como se cuida de uma criança ferida e agora, eu quero nessa festa bonita que é a vida, brindar contigo o dom da alegria, erguendo a minha taça de prata em celebração à tua vitória.  Optchá!pas



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Essas Mulheres Poderosas

Encanta-me a arte deslumbrante do Der-Jen China Tarot, com a exposição de trajes antigos e tradicionais chineses, possui uma atmosfera leve, poética e colorida. Este tarô demonstra de forma suave a magia poderosa dos Arcanos. As princesas são arquétipos dos cavaleiros nas figuras da corte. Vamos sentir o frescor nas cartas dessas mulheres divinas e marcantes na vida de qualquer pessoa:


      Rainha de Copas

 Rainha de Ouros

       Rainha de Paus

Rainha de Espadas
    Princesa de Copas

Princesa de Espadas
    Princesa de Ouros

Princesa de Paus

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

3 de Copas - A Paixão

Quantas vezes já me apaixonei? 

Empatia afetiva e emocional, a Paixão, encantada pela minha presença refletida no rosto do amado. Quero esse amor e esse amor é meu porque também me quer, só meu... então  vamos dançar, a lua nos convida, é noite, amor, e eu sou tua... 






segunda-feira, 21 de novembro de 2011

5 de Copas: O amor e o tempo...

Quando foi a maior crise sentimental de nossa vida, em que chuva forte do inverno deixamos para trás a felicidade? A motivação dessa crise veio de nós ou do outro? Onde se perderam os doces sabores das taças em que bebemos nossas últimas alegrias e trocamos beijos tão apaixonados? Não, não digas nada... ainda não é hora, meu querido! Deixemos que a confiança de outrora seja refeita pelo tempo imemorável do amor.  
   



domingo, 20 de novembro de 2011

Anjo Metatron - um guardião do Tarô


"Segundo a lenda, o criador do tarô foi o anjo Metatron, guardião da porta do SOL Atom, Rá dos Magos Egípcios, senhor do conhecimento do átomo. Reencarnou na terra como o profeta Enoch, de quem nos fala a Bíblia.


Muitos são os mistérios associados à roda de Enoch, também conhecida como roda das emanações, da vida, do karma e do dharma, ou roda Sansarra ou sarasrara dos mestres do Tibet e oriente. Metatron, ou Enoch, nos deixou o conhecimento destes 22 arcanos. A Kabala do alfabeto hebraico se divide em 22 estrofes do salmo 119 do Rei Davi na Bíblia, 22 letras que correspondem aos 22 arcanos maiores do tarô egípcio. Uma outra lenda diz que o tarô foi extraído do livro de Thot, pai da sabedoria Egípcia, num total de 78 arcanos.

Conta-se que Metraton, anjo criador do tarô, inspirou alguns sacerdotes de antigas civilizações a gravar todo o conhecimento que tinham em pequenas lâminas de metal fazendo assim surgir o tarô. Os seus mistérios porém só poderiam ser acessados por aqueles que possuíssem sabedoria e conhecimento suficiente para desvendar seu conteúdo simbólico.

Este grande mestre vive nos mundos superiores, no mundo de Aziluth, mundo este repleto de uma felicidade inconcebível para os humanos segundo Kabala.

O exato momento que o tarô passou a fazer parte do conhecimento humano ainda é um mistério, mas, existem várias especulações a respeito.

Sabemos que surgiu na Europa (Itália) do século XII, como um jogo lúdico entre os nobres que com o tempo passaram a especular sobre os possíveis significados que estariam por trás daqueles símbolos desenhados e pintados a mão, então, seu caráter divinatório se estabeleceu, sendo bastante popularizado um pouco mais tarde pela Mademoiselle Marie-Anne Le Normand durante o reinado de Napoleão I, pela influência que exercia sobre a primeira esposa do monarca.

Outras vertentes afirmam que o surgimento do tarô foi na verdade no antigo Egito , mas, não existem registros históricos sobre isto.

O tarô não é apenas um oráculo, ele pode ser usado como forma de meditação, auto conhecimento, filosofia de vida, terapia, entre outros."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Encantamento do 2 de Copas


Tenho medo de perder a maravilha
de teus olhos de estátua e aquele acento
que de noite me imprime em plena face
de teu alento a solitária rosa.

Tenho pena de ser nesta ribeira
tronco sem ramos; e o que mais eu sinto
é não ter a flor, polpa, ou argila
para o gusano do meu sofrimento.

Se és o tesouro meu que oculto tenho
se és minha cruz e minha dor molhada,
se de teu senhorio sou o cão,

não me deixes perder o que ganhei
e as águas decora de teu rio
com as folhas do meu outono esquivo.

Federico García Lorca

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Arcano 11 – A FORÇA: O infinito é supremo




O poder de realização e prazer da carta A Força é tão formidável que chegamos a pensar que não nos pertence, pois esse arcano define o princípio da crença em si mesmo. Na sombra de nossa consciência é comum a falta de auto-estima e outros diversos bloqueios, eu não posso, eu não consigo, eu sou fraco... Como nos enganamos ao expressar equivocadamente esses sentimentos em relação à nossa capacidade de reagir e de superar os próprios limites, reflexo de uma espiritualidade ainda obscura.

O domínio de nossos delírios de alma atinge o seu coroamento na energia infinita e suprema da carta A Força, a nos dizer que a nossa fonte nunca seca, desde que busquemos a sua ligação ou interação constante com o universo que é a grande energia divina dentro de nós. Por isso que na sabedoria antiga do Tarô de Marselha, pela ilustração do baralho de Nei Naiff, observamos que essa carta contém a lemniscata, o símbolo do infinito, modelando o chapéu de uma mulher bonita e controlada que com delicadeza abre a boca de um leão a ela submisso.

Toda essa riqueza simbólica traduz inteligência e virtude moral, significando que o magnetismo e a luz interior que nos abastece nunca se apaga, só precisamos fazer conexão íntima com a nossa origem vital, que nos serve de base e de sustentação para a evolução pessoal.

A carta A Força é outra lição moral esquecida, pois nós nos habituamos a dimensionar nossos instintos mais do que as nossas potencialidades, daí mergulhamos em um oceano de incertezas a agitar o nosso desânimo e fragilidade. O homem contemporâneo vive em desespero com suas neuroses, somando preocupações e multiplicando a sua natureza animal. Assim, a vibração da carta a Força é tudo o que o homem precisa para se nivelar com a sua essência divina e não sucumbir em seu próprio ego.

Quando nos debruçarmos sobre o nosso leão adormecido, é importante que tenhamos confiança excessiva na superioridade da chama vital que habita em nós, pois é esse fogo sagrado que irá queimar o orgulho e a estupidez de nossos gestos impensados, transformando em carinho e sutileza o despertar dessa fera. Este é o mistério que ainda não desvendamos completamente, obcecados pelo medo, a insegurança e o impulso inferior inerentes à bestialidade humana.

A Força não é somente um estado de alma, nem tampouco a coragem para transpormos barreiras, mas é também, uma filosofia de vida, em que optamos por estabelecer relacionamentos saudáveis, prósperos e valorosos, tendo como norte os pensamentos elevados que nos guiam e nos dão a segurança para lutar e vencer. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Por que sou Raimunda?

O filme Volver do cineasta espanhol Pedro Almodóvar é especialmente maravilhoso; primeiro, porque é um retorno às origens, à infância, ao ventre materno, embalado pelo cheiro da pimenta e pelo sabor nostálgico e sedutor do tango; segundo, porque é um tributo às mulheres, começando pelo arquétipo da mãe, tão terna, cuidadosa e protetora, capaz de fazer as mais difíceis renúncias e ainda encontrar força para seguir em frente.

Em Volver, não existiria um filme se não fossem essas mulheres fantásticas, representando além da mãe, a filha, a neta, a irmã, a sobrinha, enfim, três gerações que se entrelaçam no mesmo enredo de amor e de cumplicidade. São lindas, versáteis, divertidas, trabalhadoras, guerreiras, e enfrentam sozinhas com muita garra os obstáculos da vida, sem se abaterem com as escolhas que tiveram que fazer. 

A protagonista Raimunda, vivida pela atriz Penélope Cruz, simboliza todo esse universo feminino. Sua intuição aguçada, seu olhar expressivo e perspicaz, o domínio das situações adversas e complicadas a consagram como a verdadeira IMPERATRIZ das cartas do Tarô, pois Raimunda simboliza a força espiritual e o instinto feminino em ação, inspirando as outras mulheres a abraçarem o mesmo poder que ela tem. 


  



domingo, 22 de maio de 2011

Prece Hindu

















É maravilhoso, Senhor:
meus braços perfeitos,
quando há tantos mutilados;
meus olhos perfeitos,
quando tantos não têm luz;
minha voz canta,
quando outras emudecem,
minhas mãos trabalham,
quando tantas mendigam.

É maravilhoso, Senhor:
voltar para casa,
quando tantos não têm para onde voltar.
É bom: sorrir, amar, sonhar, viver, 
quando tantos choram, odeiam e revolvem pesadelos 
e morrem sem viver.

É maravilhoso, Senhor:
ter um Deus para crer,
quando tantos não possuem o lenitivo de uma crença.

É maravilhoso, Senhor:
ter tão pouco a pedir
e tanto para agradecer.