sexta-feira, 3 de junho de 2011

Arcano 11 – A FORÇA: O infinito é supremo




O poder de realização e prazer da carta A Força é tão formidável que chegamos a pensar que não nos pertence, pois esse arcano define o princípio da crença em si mesmo. Na sombra de nossa consciência é comum a falta de auto-estima e outros diversos bloqueios, eu não posso, eu não consigo, eu sou fraco... Como nos enganamos ao expressar equivocadamente esses sentimentos em relação à nossa capacidade de reagir e de superar os próprios limites, reflexo de uma espiritualidade ainda obscura.

O domínio de nossos delírios de alma atinge o seu coroamento na energia infinita e suprema da carta A Força, a nos dizer que a nossa fonte nunca seca, desde que busquemos a sua ligação ou interação constante com o universo que é a grande energia divina dentro de nós. Por isso que na sabedoria antiga do Tarô de Marselha, pela ilustração do baralho de Nei Naiff, observamos que essa carta contém a lemniscata, o símbolo do infinito, modelando o chapéu de uma mulher bonita e controlada que com delicadeza abre a boca de um leão a ela submisso.

Toda essa riqueza simbólica traduz inteligência e virtude moral, significando que o magnetismo e a luz interior que nos abastece nunca se apaga, só precisamos fazer conexão íntima com a nossa origem vital, que nos serve de base e de sustentação para a evolução pessoal.

A carta A Força é outra lição moral esquecida, pois nós nos habituamos a dimensionar nossos instintos mais do que as nossas potencialidades, daí mergulhamos em um oceano de incertezas a agitar o nosso desânimo e fragilidade. O homem contemporâneo vive em desespero com suas neuroses, somando preocupações e multiplicando a sua natureza animal. Assim, a vibração da carta a Força é tudo o que o homem precisa para se nivelar com a sua essência divina e não sucumbir em seu próprio ego.

Quando nos debruçarmos sobre o nosso leão adormecido, é importante que tenhamos confiança excessiva na superioridade da chama vital que habita em nós, pois é esse fogo sagrado que irá queimar o orgulho e a estupidez de nossos gestos impensados, transformando em carinho e sutileza o despertar dessa fera. Este é o mistério que ainda não desvendamos completamente, obcecados pelo medo, a insegurança e o impulso inferior inerentes à bestialidade humana.

A Força não é somente um estado de alma, nem tampouco a coragem para transpormos barreiras, mas é também, uma filosofia de vida, em que optamos por estabelecer relacionamentos saudáveis, prósperos e valorosos, tendo como norte os pensamentos elevados que nos guiam e nos dão a segurança para lutar e vencer. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Por que sou Raimunda?

O filme Volver do cineasta espanhol Pedro Almodóvar é especialmente maravilhoso; primeiro, porque é um retorno às origens, à infância, ao ventre materno, embalado pelo cheiro da pimenta e pelo sabor nostálgico e sedutor do tango; segundo, porque é um tributo às mulheres, começando pelo arquétipo da mãe, tão terna, cuidadosa e protetora, capaz de fazer as mais difíceis renúncias e ainda encontrar força para seguir em frente.

Em Volver, não existiria um filme se não fossem essas mulheres fantásticas, representando além da mãe, a filha, a neta, a irmã, a sobrinha, enfim, três gerações que se entrelaçam no mesmo enredo de amor e de cumplicidade. São lindas, versáteis, divertidas, trabalhadoras, guerreiras, e enfrentam sozinhas com muita garra os obstáculos da vida, sem se abaterem com as escolhas que tiveram que fazer. 

A protagonista Raimunda, vivida pela atriz Penélope Cruz, simboliza todo esse universo feminino. Sua intuição aguçada, seu olhar expressivo e perspicaz, o domínio das situações adversas e complicadas a consagram como a verdadeira IMPERATRIZ das cartas do Tarô, pois Raimunda simboliza a força espiritual e o instinto feminino em ação, inspirando as outras mulheres a abraçarem o mesmo poder que ela tem.