O filme Volver do cineasta espanhol Pedro Almodóvar é especialmente maravilhoso; primeiro, porque é um retorno às origens, à infância, ao ventre materno, embalado pelo cheiro da pimenta e pelo sabor nostálgico e sedutor do tango; segundo, porque é um tributo às mulheres, começando pelo arquétipo da mãe, tão terna, cuidadosa e protetora, capaz de fazer as mais difíceis renúncias e ainda encontrar força para seguir em frente.
Em Volver, não existiria um filme se não fossem essas mulheres fantásticas, representando além da mãe, a filha, a neta, a irmã, a sobrinha, enfim, três gerações que se entrelaçam no mesmo enredo de amor e de cumplicidade. São lindas, versáteis, divertidas, trabalhadoras, guerreiras, e enfrentam sozinhas com muita garra os obstáculos da vida, sem se abaterem com as escolhas que tiveram que fazer.
A protagonista Raimunda, vivida pela atriz Penélope Cruz, simboliza todo esse universo feminino. Sua intuição aguçada, seu olhar expressivo e perspicaz, o domínio das situações adversas e complicadas a consagram como a verdadeira IMPERATRIZ das cartas do Tarô, pois Raimunda simboliza a força espiritual e o instinto feminino em ação, inspirando as outras mulheres a abraçarem o mesmo poder que ela tem.

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